sábado, 13 de junho de 2009

Denúncia de Redes Ilegais - Nova Tramandaí

19/06/2009: (Editado ao final - Denúncia também na Praia de Araçá/Capão da Canoa.)

Recebemos a denúncia de redes ilegais de pesca em área de surf em Nova Tramandaí.

Desde ontem estou em Nova Tramandaí, aproveitei para dar uma caminhada na área de surf "demarcada" a cerca de uns 3 anos com muita briga e até mesmo um BO na delegacia de Tramandaí, pois bem, as conclusões os leitores poderão tirar agora.

Seguem fotos dos flagrantes de ontem e hoje na área de surf de Nova Tramandaí que se estende da guarita 160 até a guarita 164, estes flagrantes foram feitos mais precisamente entre as guaritas 160 e 162.

Abaixo seguem as fotos e o comentário de cada uma delas:











Foto 0002
Inicio ou termino da área de surf que vai da guarita 160 até 164, repare os surfistas na água.
















Foto 0006
Reparem na corda de rede amarrada no pilar da guarita e também no surfista saindo da água.







Foto 0007
Mais uma foto das cordas amarradas na guarita.








Foto 0008 e 0009
Bóia e rede em área de surf






Foto 0021
Poste marcando área de surf e guarita 162










Fotos dos pescadores e do veiculo.


Na foto da caminhonete com placas de Canoas repare nas caixas de isopor para condicionar os pescados, esse carro vindo da grande Porto Alegre, certamente não pertence aos pescadores profissionais que utilizam a pesca como subsistência.

É exatamente este tipo de gente que referimos no post anteiror, não são pescadores, são assassinos, com seus atos estão pondo em risco a vida de outras pessoas, surfsitas estavam praticando seu esporte nas imediações sem saber do grave risco de vida que corriam.

É contra este tipo de gente, (gente???) que lutamos, é contra este tipo de atos que nos manifestamos, não queremos mais mortes, queremos o fim da impunidade, queremos que estes criminosos sejam tratados como eles merecem e que a lei seja cumprida.

Basta de inocentes morrendo nos mares do nosso Estado, esta barbárie tem que acabar !!!


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EDITADO:

19/06/2009 - Denúncia também na Praia de Araçá/Capão da Canoa.

Veja a cobertura completa no site ClubeSurf.













Foto: Marcelo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

E a semente começa a germinar ...

1. Representatividade:

Ontem à noite na Audiência Pública da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, no Plenário João Neves da Fontoura, na Assembléia Legislativa, pela primeira vez nos últimos anos, os surfistas tiveram uma grande representação.


Todas as outras reuniões sempre tiveram como norma, a presença minguada de surfistas, mas desta vez a galera se mobilizou e compareceu em grande número, demonstrando a união, a conscientização e o interesse em buscar a harmonia entre surfistas e pescadores.

A audiência presidida pelo Deputado Mano Changes, foi solicitada pelo Deputado Sandro Boka, representante da Frente Parlamentar, que juntamente com lideranças do Surf, Orlando Carvalho, Virgílio Matos e tantos outros vêm travando uma incansável luta pelo fim das mortes em redes de pesca.

Todos os segmentos envolvidos foram representados: Federação Gaúcha de Surf, Centro de Estudos Geológicos e Costeiros da UFRGS, Associação dos Pescadores de Cidreira, Associação dos Pescadores de Capão da Canoa, Brigada Militar, Ministério Público, Governo do Estado, entre outras entidades presentes, bem como pescadores, surfistas, simpatizantes e familiares de vítimas de redes de pesca.

Os ânimos começaram exaltados em ambas as partes, mas com a condução serena do Deputado Mano Changes e a conscientização de todos que a busca de uma solução se impõe sobre qualquer outra questão, os ânimos serenaram e os trabalhos puderam seguir seu curso com normalidade.


2. Aspectos Objetivos:

* A legislação atual esta equivocada, as áreas de surf e pesca da forma como foram demarcadas, acabaram por “fatiar” nosso litoral, isso resulta, por exemplo, em áreas de surf de 700m, ladeada por área de pesca de pequena extensão e novamente uma área de surf. Verdadeiras “armadilhas” que acabam em vez de proteger, vitimando as pessoas.











* Com isso, se busca uma reformulação nestas áreas, baseado em estudos científicos da CECO/UFRGS, que levou em conta aspectos como velocidade das correntes, marés, aspectos climáticos, dinâmica costeira do litoral norte, etc....estima-se que uma área de para ser considerada SEGURA para a prática de surf no nosso litoral não pode ter menos de 3.000m contínuos para sua prática.

* As novas demarcações com “áreas contínuas” de 3.000m para a prática do surf busca realocar as áreas e não diminuir a área de pesca. Esta nova alocação deverá ser alvo de discussão e negociação com as Entidades e os Municípios.

* Estabelecidas estas novas áreas, deverá ser providenciada uma sinalização adequada, pois hoje é impossível visualizar de dentro do mar as placas (quando existem e não estão destruídas) de sinalização. Totens, bóias e até mesmo pintura das casas dos salva-vidas com cores emblemáticas estão sendo estudadas.

* Fiscalização com efetividade pela Brigada Militar, telefone para Disk Denúncia e o fim da impunidade são outras questões importantes que o projeto traz.
Estes são os principais tópicos do Projeto Praia Segura, Surfe Legal e que ontem foi discutido na Audiência Pública.


3. Outros Aspectos:

Todos nós sabemos que a Harmonia deve ser buscada com equilíbrio e bom senso, ainda mais quando o valor que estamos tratando é o maior possível: A Vida Humana.

Vejo com absoluta tristeza quando os ânimos se exaltam, muito embora compreenda que o lado emocional das pessoas envolvidas seja afetado, pois cada parte defende um ponto de vista subsidiado e envolvido na condição de sobrevivência, seja econômica ou da própria vida, literalmente.

Temos por obrigação, uma vez que somos seres civilizados e vivemos em uma sociedade que assim se autodenomina, em conduzir nossos atos dentro da retidão que nossas consciências impõem, e, na condução desta questão tão grave e sensível, não podemos nos afastar jamais do cerne de tudo que é a proteção a vida humana.








Foto: Thiago Aita


Como sabiamente foi dito no documentário Caiu na Rede é Gente, “ Esta história não tem um só lado, esta história não tem alguém que ganhe ...” não podemos cair no erro de rotular mocinhos e bandidos, (pescadores não são bandidos e surfistas não são “filhinhos de papai" e marginais, embora haja em ambos os grupos alguns elementos que se enquadram nestas definições, mas são uma minoria) sob pena de jamais conseguirmos a tão propalada harmonia.

Há que se entender que nossa luta, a luta dos surfistas, é por áreas seguras, demarcadas, fiscalizadas e respeitadas para a prática de esportes, tão somente isso.

Travamos uma luta, mas não uma guerra, e os pescadores, não são e jamais serão nossos inimigos. Os pescadores, em sua avassaladora maioria são pessoas de bem, que lutam bravamente para sustentar suas famílias de forma digna e correta, e merecem todo nosso respeito.

A eles, queremos dizer que não queremos a diminuição de suas áreas de pesca, mas a alocação de forma contínua de áreas de pesca, áreas de escape e áreas de surf. Novas opções de modalidades de pesca foram propostas como soluções alternativas e vem a se somar a pesca artesanal, soluções como pesca embarcada, colônias de peixes (nas lagoas) e outras ... São alternativas que vem a agregar o modelo existente.


O que nós combatemos, são as pessoas que colocam redes ilegais (pois não estão sinalizadas e muito menos identificadas) em áreas que não são de pesca. Estas pessoas, com certeza, não merecem ser chamadas de pescadores, porque de fato não o são, com o respeito que temos pela classe de pescadores jamais poderemos nominá-los como tal.


Foto: Thiago Aita


Estes, são criminosos, são assassinos e como tal devem ser tratados, porém também são covardes e jamais se conseguiu identificar um só destes canalhas que permanecem impunes. Eles jamais vão a uma Assembléia discutir formas de harmonizar as relações, se escondem no anonimato e dão risadas de todos nós, surfistas e pescadores honestos, que somos suas vítimas.

Sim, ambas as classes são vítimas destes homens sem escrúpulos, pois ao mesmo tempo em que envergonham e enlameiam a classe dos pescadores, matam com seus artefatos os surfistas que contra suas armadilhas nada podem fazer.

Esta é a nossa triste realidade.


Outro fato que me entristeceu enormemente, foi ontem ouvir uma referência que em determinado tipo de mar o surfista não deveria entrar e que ele deveria em primeiro lugar respeitar a sua própria vida. Confesso que fiquei chocado com esta afirmação que no seu âmago, nas suas entrelinhas diz que o próprio surfista é o culpado pela sua morte.










Refleti sobre esse fato e minha conclusão é que quem matou este surfista fomos todos nós !!!
Fomos nós, como sociedade, que demarcamos as áreas e assim, enviamos uma mensagem a todos: Podem surfar, pois esta área é segura.


Não, não é segura, é uma fatia de 700m que é um engodo, uma verdadeira armadilha.
Então somos todos nós cúmplices desta morte e de tantas outras.


E antes de qualquer insinuação em comentários descabidos, devemos todos nós, surfistas, pescadores, autoridades, sociedade, etc... pedir perdão as famílias, pelo nosso erro, pela nossa falta de visão, pela nossa omissão.



4. Respeito

Estas famílias merecem respeito, e ambas as partes, jamais podem esquecer isso e nem por um segundo ter qualquer deslize que macule a memória daqueles que se foram.

Então, gostaria de registrar o meu respeito e admiração pelos familiares das vítimas, que muito embora toda sua dor, que só quem perdeu um ente querido sabe dimensionar, embora toda esta dor profunda, eles ainda assim, permanecem firmes na luta.


Estes familiares poderiam estar em casa remoendo ou acomodados com sua dor, poderiam se inconformar com sua revolta, mas não, eles optaram por lutar, mesmo que muitas vezes tenham que se submeter a ouvir discursos vazios, a manobras diversionistas, a oportunistas, a “chás de banco”, a insinuações maldosas e a toda espécie de mofo que corroem nossas instituições, mesmo assim eles nos mostram que não devemos desistir jamais.

Estas famílias preferem que sua dor se transforme um algo útil a todos, que sua dor se transforme em luta, que sua dor se transforme em harmonia.
Tenham certeza que é este exemplo de força e de dignidade que vai realmente conduzir a todos a uma solução de harmonia e paz.

Seguimos em frente !!!




Foto: Thiago Aita

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Vídeo: Praia Segura, Surf Legal !!!

Veja o vídeo que foi apresentado na Audîência Pública sobre os Conflitos entre Esportes Náuticos e Redes de Pesca no Litoral Norte.

A Audiência ocorreu no Plenário João Neves da Fontoura no dia de hoje, 08/06/2009 com grande audiência.

Em breve a matéria completa sobre o evento que reuniu Surfistas, Pescadores, Entidades, Ministério Público, Brigada Militar, Governo, enfim todos os segmentos envolvidos.

Assista o vídeo: Praia Segura, Surf Legal !!!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Convite AP Esporte Nautico e Pesca Litoral Norte

Ofício Circ. nº 06 - Convite Audiência Pública - Esporte Nautico e Pesca Litoral Norte













Lembre-se: Surf Seguro Depende de Nós, Participe !!!!!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Atenção para a Data da Mobilização !!!!

Atenção pessoal:


Houve uma mudança no dia da mobilização. Será no dia 8 de junho, segunda-feira, às 18hs a audiência pública que irá tratar das delimitações nas áreas de pesca e surf na Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia na Assembléia legislativa.


O Deputado Sandro Boka convida a todos os interessados, praticantes de esportes náuticos, pescadores, surfistas e simpatizantes a participar desta grande mobilização.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Divulgação do Blog no Clube Surf

Abaixo matéria sobre o Blog que saiu no site Club Surf pelo Ki Fornari.
Segua a matéria na íntegra.


A moçada antenada na dura realidade da insegurança nas praias do litoral norte gaúcho tem mais uma ferramenta de conscientização e participação na causa. O Blog Surf Seguro RS, ativo desde o mês de abril deste ano, aborda as questões relacionadas as mortes de surfistas em redes de pesca e busca agregar surfistas e simpatizantes, interessados na solução do problema que já dizimou 48 famílias no Rio Grande do Sul.


















Indignado com as redes que invadiam a área destinada ao surf em Atlântida Sul, o surfista e analista de sistemas Márcio Dutra, resolveu se mexer. Em 2007 encaminhou um texto a surfistas e personalidades do surf gaúcho expondo a situação em sua praia e cobrando empenho das entidades representativas. A partir daí incorporou-se ao grupo de trabalho que discute o tema e lançou ideias interessantes na busca por soluções. "Cansei de ver as redes em áreas próprias para o surf, e resolvi protestar. Só então percebi que poderia ajudar na questão, e me reuni com o pessoal" afirma Márcio.

Além do blogue atualizado regularmente, Márcio sugeriu a criação de uma ONG que traria mais representatividade aos surfistas, agregando mais força na solução do problema. "A ONG está no papel e falta muito pouco para implementá-la. Acredito no fortalecimento das ações a partir do momento em que uma entidade passe a trabalhar 100% pela causa", completa.

O Blog Surf Seguro RS já conta com o apoio de diversas empresas do segmento surf. Entre os conteúdos publicados, estão importantes dicas para que o surfista conheça melhor o problema e pratique o esporte com mais segurança.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Audiência Pública

No dia 02 de junho, terça-feira, às 9hs, acontecerá a audiência pública que irá tratar das delimitações nas áreas de pesca e surf na Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia.

O deputado Sandro Boka convida a todos os interessados, praticantes de esportes náuticos, pescadores, surfistas e simpatizantes a participar desta grande mobilização.
















Será na Assembléia Legislativa, na Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia.

A Comissão de educação fica no 3º andar da Assembléia legislativa.

Contamos com a participação de todos!

Manu Pereira - Assessora de Imprensa

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Comissão busca apoio no litoral

Desde que foi criada em 2007, a Frente Parlamentar que busca harmonizar surfistas e pescadores do litoral gaúcho vem realizando uma série de ações, visando interromper a triste e numerosa contabilidade de surfistas mortos em redes de pesca.














Reunião em Imbé colocou frente a frente pescadores, prefeitura e representantes da Comissão Surf Seguro - Foto: Galileu Oldenburg

Depois de diversos encontros e debates nos principais órgãos governamentais, da elaboração de uma campanha de conscientização e da definição de que áreas com menos de 3Km de extensão são inseguras para o surf, a comissão resolveu ir a campo e visitar as prefeituras do litoral.

Engajados na conciliação entre municípios, surfistas e pescadores, o deputado Sandro Boka, o presidente da Federação Gaúcha de Surf (FGS), Orlando Carvalho, e o diretor da FGS, Virgílio Matos, iniciaram uma série de visitas aos prefeitos do litoral. Na pauta de trabalho, a tentativa de aumentar as áreas em cada município, adequando ao limite mínimo estabelecido pelo Centro de Estudos Costeiros da UFRGS (3Km), propondo assim, uma demarcação segura para os surfistas e uma sinalização adequada às características do nosso litoral.

Até agora, a comissão visitou as prefeituras de Capão da Canoa, Arroio do Sal, Cidreira e Imbé. A idéia é completar em breve o primeiro ciclo de visitas aos municípios do litoral norte.

“ Em todas as prefeituras fomos muito bem recebidos. Ficou claro que todos os prefeitos querem resolver o problema e estão interessados em fazer uma demarcação com o padrão de segurança que nós estabelecemos. Já os pecadores estão apreensivos com uma possível diminuição de suas áreas, mas querem se adequar", pontuou o Presidente da FGS Orlando Carvalho, que acredita na força da campanha de conscientização para sensibilizar os prefeitos. "Me parece que a questão da campanha de conscientização mexe com as prefeituras. Todos os prefeitos querem embarcar juntos nesta campanha e divulgar que os seus municípios tem áreas seguras para o esporte e lazer", concluiu Orlando.

Em alguns municípios, surgiram boas propostas por parte de pescadores e prefeitos. A prefeitura de Capão da Canoa lançou a idéia de padronizar a sinalização de beira de praia com totens de concreto, coloridos de acordo com a respectiva área, e com altura superior a 4 metros.

Já em Cidreira, o presidente da Associação dos Pescadores trouxe a idéia de sinalizar as poitas (artefato que sustenta a rede dentro do mar) com um tipo de bóia, proporcionando também a sinalização de alerta no mar.

Para o diretor da FGS, Virgílio Matos, que há anos encabeça a luta pelo fim das mortes de surfistas em redes de pesca, a evolução dos trabalhos está diretamente associada a união entre as associações locais de surfistas e as entidades que fazem parte da Frente Parlamentar.

“É essencial a participação de todos os envolvidos nessa causa, assim como a permanente continuidade dos trabalhos. Primeiro da nossa parte, nessa continuidade, e segundo, na cobrança de soluções por parte das associações e dos surfistas", declarou Virgílio.

Além das visitas aos prefeitos do litoral, a Frente Parlamentar Surf Seguro deve se reunir com o ministério público nos próximos dias, a fim de solicitar um promotor para dar continuidade ao trabalho, dentro do órgão estadual.

Fonte: CulbeSurf
http://clubesurf.com.br/02/vr3/headline.php?n_id=13698

sábado, 25 de abril de 2009

Praia Segura - Surf Legal

Praia Segura - Surf Legal.

Desde o dia 28/06/2007, quando criamos a nossa Frente Parlamentar que Harmoniza Surfistas e Pescadores, temos desenvolvido uma série de ações visando acabar de uma vez por todas com a triste história vivenciada por nossos esportistas no Litoral Norte do estado do Rio Grande do Sul.

Desde o início sabíamos que não seria uma batalha fácil de ser vencida, pois várias pessoas antes de nós já haviam enfrentado esse problema, conseguiram alguns avanços, mas muitas vezes pela omissão dos próprios surfistas acabaram desistindo. Inicialmente visitamos todas as prefeituras do nosso litoral e foi aí que nos deparamos com o primeiro obstáculo: alguns prefeitos consideravam inconstitucional a lei estadual.

Logo, não reconheciam o direito dos praticantes de esportes náuticos de terem o seu espaço reservado e seguro para a sua prática. A partir daí procuramos as instituições que poderiam nos dar embasamento legal e apoio para que pudéssemos provar que a lei vigente no estado, era constitucional, e por conseqüência, legal.














Após um longo período de reuniões e visitas, conseguimos, através do brilhante trabalho da Promotora Pública Isabel Bidigaray, derrubar todos os argumentos que foram utilizados pelo Juiz do Tribunal para dizer que nossa lei era inconstitucional. Essa medida, infelizmente, demorou algum tempo para entrar em prática por causa da burocracia, e não por falta de empenho nosso (Federação Gaúcha de Surf, Governo do Estado, Ministério Público, Brigada Militar, Frente Parlamentar e demais colaboradores de nosso grupo de trabalho).

Essa foi uma de nossas maiores vitórias até agora, pois não poderíamos alterar a lei que hoje diz que a área delimitada para a pratica do surfe é de 400 mts, para os padrões que determinam o estudo feito pelo Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica (CECO – UFRGS), se nossa lei continuasse sendo reconhecida como inconstitucional. Esse estudo feito pelo CECO tomou uma referência de dados levantados pelo professor Alvarez e que foram aproveitados em um trabalho feito pelo aluno Ingo Kuerten, com orientação do professor Nelson Gruber.


O Mapeamento e Avaliação das Áreas Destinadas para a Prática de Surfe levou em conta que em condições extremas, a velocidade média da corrente é de Hum mt por segundo, logo estamos embasados cientificamente para defender uma área não inferior a três mil metros para prática de surfe em 50 minutos de banho. Hoje temos o levantamento de toda a área delimitada para prática de surfe no nosso litoral, já que todas as prefeituras foram intimadas pelo Ministério Público para fornecer essas informações. Com isso, percebemos que na realidade o nosso litoral foi fatiado em pequenas áreas de surfe, fazendo com que os praticantes de esportes náuticos ficassem totalmente a mercê da própria sorte.

Temos um cronograma de ações planejadas que nos possibilitará fazer um movimento como nunca foi visto no nosso estado. Cabe aqui salientar que essas ações já tinham sido desenvolvidas antes da fatalidade acontecida com o surfista Lucas Boeira Dias em Capão Novo. Já está sendo elaborado uma grande campanha publicitária para que toda a sociedade gaúcha reconheça a importância que o surfe tem dentro do contexto social e econômico de nosso estado.

A campanha visa também a mudança da imagem errada que parte da sociedade têm em relação aos surfistas. De que seriamos alienados, desocupados...

Hoje o surfe é muito mais que um esporte, é um gerador de emprego e renda que principalmente no inverno, incrementa os orçamentos das prefeituras. Divulgar a todo o estado de que pessoas estão morrendo da forma mais absurda que poderia se imaginar, sensibilizando toda a sociedade para que nos ajudem é fundamental para o sucesso de nossa causa.

A fim de evitar mais fatalidades é essencial orientar os praticantes de esportes náuticos e principalmente os jovens surfistas, quais as áreas do nosso estado que são seguras para prática de esportes. A idéia da campanha “Praia Segura, Surf Legal”, é mobilizar todos os surfistas e simpatizantes, e colocar em cada moletom, prancha, carro, outdoors, rádio, TV e jornal a nossa logomarca e mensagens denunciando o que já aconteceu (48 mortes), e o que poderá acontecer se isso não mudar drasticamente, bem como a construção de um folder contendo dicas, orientações e as áreas seguras para a prática do surfe em nosso litoral. No dia 22, às 18 hs, no meu gabinete na Assembléia Legislativa, será apresentado o logotipo que está sendo produzido por duas importantes agências de publicidade, que de forma inédita estão trabalhando juntas em prol de um mesmo ideal.

Convido a todos que participem deste primeiro encontro que será o início de nossa jornada. Já no dia 30, teremos a apresentação de toda a campanha publicitária, pontuando cada ação que irá se suceder. Cabe ressaltar que essas ações tinham sido planejadas antes do acontecimento trágico, ocorrido no sábado passado, mas que o acontecido serviu para acelerar o processo. Nos próximos dias estaremos ultimando um novo mapa do litoral norte com as respectivas áreas de surfe modificadas e que nenhuma área seja inferior a três mil metros (correspondente ao banho de 50 min, conforme estudo do CECO).

Iremos visitar cada prefeito e associação para que juntos possamos concluir esse novo projeto, ao mesmo tempo já protocolamos um pedido de audiência pública na Comissão de Educação e Desporto para mostrar aos demais deputados e autoridades a importância e urgência na modificação da lei estadual vigente. Temos vários projetos de uma melhor sinalização das áreas destinadas à pratica de surfe, dentre eles o que mais tem recebido adeptos é a colocação de grandes totens de concreto sinalizado nas cores vermelho (área de pesca), amarelo (área de amortecimento, escape) e verde (área segura).

Possuímos ainda um cronograma planejado de ações integradas que gostaríamos de divulgar a todos, em um outro momento, de forma pessoal. Quero frisar que todas as ações realizadas até agora foram idealizadas por um grupo de pessoas (o nosso gabinete como um todo, presidente, Sr. Orlando e ex-presidente da FGSurf/Virgilio Panzini de Matos/maior militante, Ministério Público, Governo do Estado, além de parentes e amigos das vítimas e pessoas que se uniram a nossa luta).

Muitas vezes nos sentimos sem apoio mas nunca perdemos o nosso foco. Confesso que me senti particularmente desolado e impotente com o ocorrido com o Lucas, mas tenho a consciência de que estamos fazendo o nosso melhor.

Infelizmente as ações ainda não foram o suficiente para evitar mais uma morte, e que essa tragédia sirva de motivação para que mais pessoas possam integrar o nosso grupo, para que juntos tenhamos mais força e representatividade.

Convocamos a todas as pessoas interessadas em realmente acabar com esta barbárie que assola o nosso litoral, que se unam a nós, pois com certeza nos tornaremos mais fortes e aí sim, conquistaremos o nosso objetivo.

Dep. Sandro Boka.

Mais um surfista vítima das redes


Mais um surfista vítima das redes

A morte do empresário e estudante Lucas Boeira Dias, 22 anos, enquanto surfava na manhã de sábado, no loteamento Capão Novo Village, no Litoral Norte, reacendeu o debate sobre as delimitações de zonas para o esporte e para a pesca.

Ao perceber que havia invadido a área de pescadores, ele e o irmão gêmeo Fábio tentaram sair da água, mas Lucas ficou preso no cabo de uma rede e não conseguiu se desvencilhar.

Freqüentador de Capão Novo Village, no município de Capão da Canoa, desde os oito anos, Lucas estava na praia com a namorada Vanessa, o irmão e os pais desde sexta-feira de manhã. Estudante do terceiro semestre de Engenharia Eletrônica na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e sócio do pai e do irmão numa empresa de equipamentos médicos, ele e Fábio chegaram a entrar no mar, ainda na sexta-feira, e ambos viram que havia um cabo exatamente no limite das áreas para banhistas e pescadores.

Por volta das 10h de sábado, Lucas levou a namorada ao mar para ensiná-la a surfar de bodyboard e ficou na beira, próximo ao posto 9. Enquanto isso, Fábio entrou com a prancha na água. Percebeu que a correnteza estava forte e, novamente, avistou o cabo nas proximidades. Minutos depois, Lucas deixou a namorada e foi surfar com o irmão. Ao chegar perto de onde Fábio estava, ele também percebeu que o cabo estava próximo e os dois decidiram sair da água.

– Entramos na zona de banhista e, devido à corrente forte, chegamos em menos de cinco minutos à zona de pesca. Comecei a nadar para sair do mar e, quando olhei para trás, vi meu irmão se debatendo. Voltei para ajudá-lo e também fiquei preso no cabo. Gritei por socorro e dois casais que estavam caminhando na areia foram nos ajudar. Consegui soltar o lesh (corda que liga à prancha) do meu pé, mas não deu para voltar a tempo, pois ele já tinha afundado – lembra Fábio, estudante de Oceanologia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
Com a ajuda de outras pessoas, Fábio puxou o cabo e conseguiu retirar o irmão do mar. Uma médica estava entre os que ajudavam e chegou a prestar os primeiros socorros ao rapaz, que não resistiu e morreu no local. O enterro ocorreu ontem no cemitério Jardim da Paz, na Capital.


** Família pretende fazer campanha de conscientização

– O mar não é um lugar onde entramos e ficamos no mesmo lugar, há corrente longitudinal. Não pode ter uma rede de pesca próxima ao limite das duas áreas, deve ter um espaço que ninguém ocupe, nem surfista, nem pescadores – reclama Fábio.Consternado, o pai de Lucas, o empresário Pedro Rogério Dias, espera que com a morte do filho algo seja feito para se evitar mais vítimas. Com o estudante, pelo menos 48 surfistas já morreram no litoral gaúcho em função das redes de pesca, desde 1983, segundo a Federação Gaúcha de Surf

– Estivemos em Punta del Leste há duas semanas e lá é tudo bem delimitado. Vamos homenagear o Lucas e procurar, com a Federação de Surf, fazer um trabalho de conscientização para esse tipo de problema – diz o pai.
Fonte: clicbrs

A Federação Gaúcha de Surf e o Movimento de Proteção ao Surfista enviaram nota oficial à imprensa convocando todas as pessoas envolvidas com o problema a comparecer no ato de protesto com o objetivo de chamar a atenção da opinião pública e pressionar as autoridades na busca por soluções definitivas para este flagelo que já vitimou 48 surfistas gaúchos desde 1983.


** O que está sendo feito para solucionar o problema?

As conseqüências da morte de um surfista provocada por redes de pesca instaladas no litoral gaúcho são imediatas.
Reuniões de emergência com lideranças do surf são convocadas e manifestações políticas de autoridades públicas lotam as agendas, sempre com o intuito de encontrar soluções emergenciais para o problema.
Nesta semana, diversos segmentos envolvidos com a questão se pronunciaram e novas medidas estão sendo tomadas.


** As medidas da Federação Gaúcha de Surf

A Federação Gaúcha de Surf solicitou uma nova varredura do litoral a ser realizada pela Brigada Militar para a retirada de todos os artefatos de pesca que não estejam de acordo com a Lei 12.050 de 2003, que determina a devida identificação com nome, endereço e número do registro dos equipamentos.

Também está sendo exigida em caráter de urgência a criação de um decreto e posteriormente uma nova lei estadual adequando as áreas de acordo com o parecer do CECO, além de uma sinalização feita com totens coloridos em conformidade com a sinalização padrão de segurança nas cores vermelha, amarela e verde, para demarcação das áreas.


** O que diz os estudos do CECO

Conforme parecer do Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica da UFRGS, ficou comprovado que há um deslocamento bi-direcional de 1 metro por segundo no litoral gaúcho em condições de corrente extrema.

Sendo assim, uma área segura para a prática do surf exigiria uma extensão mínima de 4 a 6 km, com zonas de amortecimento de 500 metros entre elas.
O local onde ocorreu a morte de Lucas conta com apenas 1 km livre para surf.


** Tragédia foi assunto de discurso na Assembléia Legislativa

O deputado Sandro Boka (PMDB) ocupou a tribuna da Assembléia Legislativa na tarde de terça-feira (14/04), para lamentar a morte de Lucas Boeira Dias.

O parlamentar alertou para as conclusões dos estudos do CECO sobre as correntes marítimas e anunciou uma audiência pública na Comissão de Educação e Desporto, da qual é titular, para que se discuta o assunto e altere-se a lei dos atuais 400 metros para um mínimo de 3 km.

"Já estamos trabalhando há um ano e meio, e conseguimos grandes avanços, mas infelizmente essas conquistas não foram suficientes ainda para evitar a morte de mais um surfista”, lamentou em seu discurso.
Fonte: clubesurf.com.br