sábado, 25 de abril de 2009

Praia Segura - Surf Legal

Praia Segura - Surf Legal.

Desde o dia 28/06/2007, quando criamos a nossa Frente Parlamentar que Harmoniza Surfistas e Pescadores, temos desenvolvido uma série de ações visando acabar de uma vez por todas com a triste história vivenciada por nossos esportistas no Litoral Norte do estado do Rio Grande do Sul.

Desde o início sabíamos que não seria uma batalha fácil de ser vencida, pois várias pessoas antes de nós já haviam enfrentado esse problema, conseguiram alguns avanços, mas muitas vezes pela omissão dos próprios surfistas acabaram desistindo. Inicialmente visitamos todas as prefeituras do nosso litoral e foi aí que nos deparamos com o primeiro obstáculo: alguns prefeitos consideravam inconstitucional a lei estadual.

Logo, não reconheciam o direito dos praticantes de esportes náuticos de terem o seu espaço reservado e seguro para a sua prática. A partir daí procuramos as instituições que poderiam nos dar embasamento legal e apoio para que pudéssemos provar que a lei vigente no estado, era constitucional, e por conseqüência, legal.














Após um longo período de reuniões e visitas, conseguimos, através do brilhante trabalho da Promotora Pública Isabel Bidigaray, derrubar todos os argumentos que foram utilizados pelo Juiz do Tribunal para dizer que nossa lei era inconstitucional. Essa medida, infelizmente, demorou algum tempo para entrar em prática por causa da burocracia, e não por falta de empenho nosso (Federação Gaúcha de Surf, Governo do Estado, Ministério Público, Brigada Militar, Frente Parlamentar e demais colaboradores de nosso grupo de trabalho).

Essa foi uma de nossas maiores vitórias até agora, pois não poderíamos alterar a lei que hoje diz que a área delimitada para a pratica do surfe é de 400 mts, para os padrões que determinam o estudo feito pelo Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica (CECO – UFRGS), se nossa lei continuasse sendo reconhecida como inconstitucional. Esse estudo feito pelo CECO tomou uma referência de dados levantados pelo professor Alvarez e que foram aproveitados em um trabalho feito pelo aluno Ingo Kuerten, com orientação do professor Nelson Gruber.


O Mapeamento e Avaliação das Áreas Destinadas para a Prática de Surfe levou em conta que em condições extremas, a velocidade média da corrente é de Hum mt por segundo, logo estamos embasados cientificamente para defender uma área não inferior a três mil metros para prática de surfe em 50 minutos de banho. Hoje temos o levantamento de toda a área delimitada para prática de surfe no nosso litoral, já que todas as prefeituras foram intimadas pelo Ministério Público para fornecer essas informações. Com isso, percebemos que na realidade o nosso litoral foi fatiado em pequenas áreas de surfe, fazendo com que os praticantes de esportes náuticos ficassem totalmente a mercê da própria sorte.

Temos um cronograma de ações planejadas que nos possibilitará fazer um movimento como nunca foi visto no nosso estado. Cabe aqui salientar que essas ações já tinham sido desenvolvidas antes da fatalidade acontecida com o surfista Lucas Boeira Dias em Capão Novo. Já está sendo elaborado uma grande campanha publicitária para que toda a sociedade gaúcha reconheça a importância que o surfe tem dentro do contexto social e econômico de nosso estado.

A campanha visa também a mudança da imagem errada que parte da sociedade têm em relação aos surfistas. De que seriamos alienados, desocupados...

Hoje o surfe é muito mais que um esporte, é um gerador de emprego e renda que principalmente no inverno, incrementa os orçamentos das prefeituras. Divulgar a todo o estado de que pessoas estão morrendo da forma mais absurda que poderia se imaginar, sensibilizando toda a sociedade para que nos ajudem é fundamental para o sucesso de nossa causa.

A fim de evitar mais fatalidades é essencial orientar os praticantes de esportes náuticos e principalmente os jovens surfistas, quais as áreas do nosso estado que são seguras para prática de esportes. A idéia da campanha “Praia Segura, Surf Legal”, é mobilizar todos os surfistas e simpatizantes, e colocar em cada moletom, prancha, carro, outdoors, rádio, TV e jornal a nossa logomarca e mensagens denunciando o que já aconteceu (48 mortes), e o que poderá acontecer se isso não mudar drasticamente, bem como a construção de um folder contendo dicas, orientações e as áreas seguras para a prática do surfe em nosso litoral. No dia 22, às 18 hs, no meu gabinete na Assembléia Legislativa, será apresentado o logotipo que está sendo produzido por duas importantes agências de publicidade, que de forma inédita estão trabalhando juntas em prol de um mesmo ideal.

Convido a todos que participem deste primeiro encontro que será o início de nossa jornada. Já no dia 30, teremos a apresentação de toda a campanha publicitária, pontuando cada ação que irá se suceder. Cabe ressaltar que essas ações tinham sido planejadas antes do acontecimento trágico, ocorrido no sábado passado, mas que o acontecido serviu para acelerar o processo. Nos próximos dias estaremos ultimando um novo mapa do litoral norte com as respectivas áreas de surfe modificadas e que nenhuma área seja inferior a três mil metros (correspondente ao banho de 50 min, conforme estudo do CECO).

Iremos visitar cada prefeito e associação para que juntos possamos concluir esse novo projeto, ao mesmo tempo já protocolamos um pedido de audiência pública na Comissão de Educação e Desporto para mostrar aos demais deputados e autoridades a importância e urgência na modificação da lei estadual vigente. Temos vários projetos de uma melhor sinalização das áreas destinadas à pratica de surfe, dentre eles o que mais tem recebido adeptos é a colocação de grandes totens de concreto sinalizado nas cores vermelho (área de pesca), amarelo (área de amortecimento, escape) e verde (área segura).

Possuímos ainda um cronograma planejado de ações integradas que gostaríamos de divulgar a todos, em um outro momento, de forma pessoal. Quero frisar que todas as ações realizadas até agora foram idealizadas por um grupo de pessoas (o nosso gabinete como um todo, presidente, Sr. Orlando e ex-presidente da FGSurf/Virgilio Panzini de Matos/maior militante, Ministério Público, Governo do Estado, além de parentes e amigos das vítimas e pessoas que se uniram a nossa luta).

Muitas vezes nos sentimos sem apoio mas nunca perdemos o nosso foco. Confesso que me senti particularmente desolado e impotente com o ocorrido com o Lucas, mas tenho a consciência de que estamos fazendo o nosso melhor.

Infelizmente as ações ainda não foram o suficiente para evitar mais uma morte, e que essa tragédia sirva de motivação para que mais pessoas possam integrar o nosso grupo, para que juntos tenhamos mais força e representatividade.

Convocamos a todas as pessoas interessadas em realmente acabar com esta barbárie que assola o nosso litoral, que se unam a nós, pois com certeza nos tornaremos mais fortes e aí sim, conquistaremos o nosso objetivo.

Dep. Sandro Boka.

Mais um surfista vítima das redes


Mais um surfista vítima das redes

A morte do empresário e estudante Lucas Boeira Dias, 22 anos, enquanto surfava na manhã de sábado, no loteamento Capão Novo Village, no Litoral Norte, reacendeu o debate sobre as delimitações de zonas para o esporte e para a pesca.

Ao perceber que havia invadido a área de pescadores, ele e o irmão gêmeo Fábio tentaram sair da água, mas Lucas ficou preso no cabo de uma rede e não conseguiu se desvencilhar.

Freqüentador de Capão Novo Village, no município de Capão da Canoa, desde os oito anos, Lucas estava na praia com a namorada Vanessa, o irmão e os pais desde sexta-feira de manhã. Estudante do terceiro semestre de Engenharia Eletrônica na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e sócio do pai e do irmão numa empresa de equipamentos médicos, ele e Fábio chegaram a entrar no mar, ainda na sexta-feira, e ambos viram que havia um cabo exatamente no limite das áreas para banhistas e pescadores.

Por volta das 10h de sábado, Lucas levou a namorada ao mar para ensiná-la a surfar de bodyboard e ficou na beira, próximo ao posto 9. Enquanto isso, Fábio entrou com a prancha na água. Percebeu que a correnteza estava forte e, novamente, avistou o cabo nas proximidades. Minutos depois, Lucas deixou a namorada e foi surfar com o irmão. Ao chegar perto de onde Fábio estava, ele também percebeu que o cabo estava próximo e os dois decidiram sair da água.

– Entramos na zona de banhista e, devido à corrente forte, chegamos em menos de cinco minutos à zona de pesca. Comecei a nadar para sair do mar e, quando olhei para trás, vi meu irmão se debatendo. Voltei para ajudá-lo e também fiquei preso no cabo. Gritei por socorro e dois casais que estavam caminhando na areia foram nos ajudar. Consegui soltar o lesh (corda que liga à prancha) do meu pé, mas não deu para voltar a tempo, pois ele já tinha afundado – lembra Fábio, estudante de Oceanologia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
Com a ajuda de outras pessoas, Fábio puxou o cabo e conseguiu retirar o irmão do mar. Uma médica estava entre os que ajudavam e chegou a prestar os primeiros socorros ao rapaz, que não resistiu e morreu no local. O enterro ocorreu ontem no cemitério Jardim da Paz, na Capital.


** Família pretende fazer campanha de conscientização

– O mar não é um lugar onde entramos e ficamos no mesmo lugar, há corrente longitudinal. Não pode ter uma rede de pesca próxima ao limite das duas áreas, deve ter um espaço que ninguém ocupe, nem surfista, nem pescadores – reclama Fábio.Consternado, o pai de Lucas, o empresário Pedro Rogério Dias, espera que com a morte do filho algo seja feito para se evitar mais vítimas. Com o estudante, pelo menos 48 surfistas já morreram no litoral gaúcho em função das redes de pesca, desde 1983, segundo a Federação Gaúcha de Surf

– Estivemos em Punta del Leste há duas semanas e lá é tudo bem delimitado. Vamos homenagear o Lucas e procurar, com a Federação de Surf, fazer um trabalho de conscientização para esse tipo de problema – diz o pai.
Fonte: clicbrs

A Federação Gaúcha de Surf e o Movimento de Proteção ao Surfista enviaram nota oficial à imprensa convocando todas as pessoas envolvidas com o problema a comparecer no ato de protesto com o objetivo de chamar a atenção da opinião pública e pressionar as autoridades na busca por soluções definitivas para este flagelo que já vitimou 48 surfistas gaúchos desde 1983.


** O que está sendo feito para solucionar o problema?

As conseqüências da morte de um surfista provocada por redes de pesca instaladas no litoral gaúcho são imediatas.
Reuniões de emergência com lideranças do surf são convocadas e manifestações políticas de autoridades públicas lotam as agendas, sempre com o intuito de encontrar soluções emergenciais para o problema.
Nesta semana, diversos segmentos envolvidos com a questão se pronunciaram e novas medidas estão sendo tomadas.


** As medidas da Federação Gaúcha de Surf

A Federação Gaúcha de Surf solicitou uma nova varredura do litoral a ser realizada pela Brigada Militar para a retirada de todos os artefatos de pesca que não estejam de acordo com a Lei 12.050 de 2003, que determina a devida identificação com nome, endereço e número do registro dos equipamentos.

Também está sendo exigida em caráter de urgência a criação de um decreto e posteriormente uma nova lei estadual adequando as áreas de acordo com o parecer do CECO, além de uma sinalização feita com totens coloridos em conformidade com a sinalização padrão de segurança nas cores vermelha, amarela e verde, para demarcação das áreas.


** O que diz os estudos do CECO

Conforme parecer do Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica da UFRGS, ficou comprovado que há um deslocamento bi-direcional de 1 metro por segundo no litoral gaúcho em condições de corrente extrema.

Sendo assim, uma área segura para a prática do surf exigiria uma extensão mínima de 4 a 6 km, com zonas de amortecimento de 500 metros entre elas.
O local onde ocorreu a morte de Lucas conta com apenas 1 km livre para surf.


** Tragédia foi assunto de discurso na Assembléia Legislativa

O deputado Sandro Boka (PMDB) ocupou a tribuna da Assembléia Legislativa na tarde de terça-feira (14/04), para lamentar a morte de Lucas Boeira Dias.

O parlamentar alertou para as conclusões dos estudos do CECO sobre as correntes marítimas e anunciou uma audiência pública na Comissão de Educação e Desporto, da qual é titular, para que se discuta o assunto e altere-se a lei dos atuais 400 metros para um mínimo de 3 km.

"Já estamos trabalhando há um ano e meio, e conseguimos grandes avanços, mas infelizmente essas conquistas não foram suficientes ainda para evitar a morte de mais um surfista”, lamentou em seu discurso.
Fonte: clubesurf.com.br

Carne Humana no Inverno Gaúcho

CARNE HUMANA NO INVERNO GAÚCHO

Veja nesta matéria o depoimento de nosso maior guerreiro na causa Rede de pesca X Surf, Virgilio Panzini de Matos o qual expressa a triste realidade da maioria dos surfistas gaúchos que se consideram uma "tribo". (fonte: ondasdosul)

Gostaria de fazer algumas observações oportunas a respeito de nossa "Tribo" ou melhor grupo "nomade", que são (errantes, sem habitação fixa, que vagueiam).

Pois tribo (conforme o Sr. Avelino Arantes Bastos/CEO-Tropical Brasil, no último Congressurf, em Porto Alegre) quer dizer conjunto de comunidades, que possui organização, liderança e ações em conjunto para preservar sua espécie, diferente de nós surfistas... !!!

- Os fatos:

Participei em 1988, da Comissão da AL/RS do então Deputado Sanchotene Felice (hoje Pref. de Uruguaiana), como Presidente da Federação Gaúcha de Surf, onde criamos a Lei Estadual que obriga os Municípios a criarem áreas livres (Esportes e lazer) nos Balneários na Costa Gaúcha e define o Estado do Rio Grande do Sul, digo Governo a fiscalizar através de seus Orgãos, Instituições as ditas áreas com as Sinalizações específicas !!!

Pois bem o Dr. Pedro Simom, atual Senador da República sancionou a lei, na época como mandatário do Executivo Gaúcho...

Nenhum surfista compareceu...


Continuaram as mortes em Capão da Canoa, foco do problema na época (anos 80) !!!
Saí a campo, e levei a Equipe da RBS TV, filmando e entrevistando o Prefeito de Capão, Sr. Egon Birlen, na praia, e ele se engajou, mandando arrancar todas as redes de pesca com máquina retro/trator, da faixa de areia...

Segue as mortes, e o Deputado Sanchotene, entra na Justiça contra o Prefeito, Sr. Ledorino Brogni, em 1989 (conhecido com suas "belas" declarações a respeito do surf, em Capão), a FAMURS, entra em defesa do Prefeito e faz "lobby" no Judiciário livrando-o das sanções da lei... !!!

Anos 90, e se acumulam as mortes de surfistas "nas armadilhas humanas"...ninguém se mobiliza, só competições (WQS-Nescau Surf Energy, no Imbé, em Tramandaí e Capão, o surf a pleno, lojas vendendo pranchas sem critério, como cadastro, cartílha de informações sobre as áreas, correntes, ventos, perigos etc. "tudo no oba...oba..." !!!

Novo milénio "2000", trágica dobradinha, morte de 2 surfistas (Pablo e Felipe Minussi), no inverno, no mesmo final-de-semana, em Nova Tramandaí, corre o Tuca Gianotti, para o Litoral, com o Marcio Ramos, e pedem ajuda ao Deputado Kalil Sehbe, que faz um adendo a Lei, regulamentando a dita, agora Sim, tinhamos 40 e pouco minguados na AL/RS...ano seguinte Graziela/Body Boarder, morre em Cidreira/Salinas...nada de manifestação...

Maio de 2005, morre em Cidreira a surfista Julia Rosito, filha do Pró-Reitor da UFRGS, Dr. Aldo Rosito, manifestação na AL/RS, Deputada Leila Fetter, Alceu Moreira e Vereador Beto Moecsh e a Monica Leal, saem em nossa defesa no plenário "fogo de palha", pois não existe continuidade da FGS..., 27 de dezembro, morre Mário Xavier, 46 anos, em Mariluz, na frente dos filhos e esposa !!! Tragédia gaúcha... o Deputado Vieira da Cunha vai com um Grupo de pais e surfistas no QG do Ministério Público Estadual, mas sem nenhuma estratégia, só bate-boca...


Outubro de 2006, o Deputado Vieira da Cunha, cria a Sub-Comissão "surf e pesca", a meu pedido na AL/RS, poucos participam, e cria-se o Fórum Surf Seguro, em Tramandaí e todas as Autarquias do Governo Estadual e Federal, mandam seus representantes (Comandante da BM, IBAMA, MP Federal, Secretaria Nacional da Pesca, Colonia e Sindicato da Pesca, Prefeito e Vice de Tramandaí e centenas de bombeiros/salva-vidas na platéia do auditório da Prefeitura, salvando o Evento, que era para nós SURFISTAS, traçar um novo rumo, mostrando "a nossa força" ??? e pressão devido ao descaso !!! Eramos no máximo 10 (entre familiares das vítimas, surfistas e o Orlando atual Presidente da FGS). fracasso total !!! Deputado Vieira da Cunha, se despede, criticando nossa alienação...


Ano de 2007, chega ao Parlamento o Deputado Surfista Sandro Boka, de Rio Grande, ex-competidor dos Circuitos Renner de Surf/anos 80, com toda a energia, lança a Frente Parlamentar de "harmonia aos esportes de mar e pesca", cria um grupo de trabalho, para chegar na Governadora Yeda e solicitar empenho do Governo a nossa causa !!!

Elabora várias reuniões na AL/RS, com a presença de Deputados de diversos partidos e inclusive o Frederico Antunes, Presidente da Casa...salas vazias dos principais protagonistas, nós surfistas...

15 de Dezembro de 2007, a Gov. Yeda pressionada pelo Deputado Boka, lança em Capão da Canoa na Abertura da Temporada de Verão 2008, o Programa Surf Legal, ela Governadora, abre pela 1º vez um evento falando de Surf, da coragem, dos perigos, das vítimas das redes e de toda cadeia produtiva do Segmento que gera empregos e sustenta famílias !!!

Imaginem quantos surfistas estavam neste evento oficial ??? para beneficiar nossa categoria "nomade", de um Programa que esta de pé até hoje, que envolve o Ministério Público Estadual, Promotores de Justiça para defender nossa integridade física ??? 2, repito dois surfistas (O Ki Fornari e Eu), em pleno calçadão da beira mar, na frente do Bar Onda... !!!



- "mea culpa":

Portanto se existe redes ilegais, pescadores irresponsáveis, carteiras emitidas ilegalmente pelas colonias e secretaria nacional, é porque o nosso Grupo Prejudicado de Surfistas, bem alimentado, educado não acorda para este grave problema e não PARTICIPA, não PRESSIONA e não se MOBILIZA, quando convocado pela Entidade/FGS e Imprensa Especializada.

Portanto antes de criticar, e se achar no Direito de reclamar das Autoridades, Orgãos etc., tente saber a verdadeira versão dos fatos !!!

Se tivermos mais uma vítima, faça uma reflexão e diga "nó somos culpados" por falta de participação e mobilização !!!
Internet e e-mail, não resolve problema...

Inverta a posição, e se tivesse morrido 45 pescadores no lugar dos surfistas, eles pescadores já teriam posto "fogo" no Palácio Piratini e AL/RS, com direito a 10 minutos no Jornal Nacional, Fantástico e de quebra no "Pânico na TV" !!!

- "SURF SEGURO, SÓ DEPENDE DE NÓS, PARTICIPE" !!!

Saudações,
Virgilio Panzini de Matos
ex-Diretor da ABRASA, hoje CBS
ex-Presidente e Diretor do Conselho da FGS
surfista há 32 anos...

Caiu na Rede é Gente!

Caiu na Rede é Gente!

Essa história não tem um lado.
Essa história não tem um vencedor.
Essa história não é uma ficção.


No Estado do Rio Grande do Sul ocorre um tipo de morte que não existe em nenhum outro local do mundo.

Há mais de vinte anos, pessoas - em sua maioria praticante de surf e outros esportes aquáticos - morrem nas redes dos pescadores.

Estes pescadores, muitas vezes, utilizam-se da pesca de subsistência para sobreviver e manter suas famílias e têm uma cultura a ser preservada. Todavia, o surf, através de sua indústria, movimenta 2,5 milhões de reais ao ano no Brasil e no Rio Grande do Sul é um importante pilar do turismo no litoral.

Este documentário será baseado nesta polêmica que envolve a morte de surfistas gaúchos em redes de pesca no litoral do Rio Grande do Sul, objetivando mostrar a realidade dos surfistas, dos pescadores que dependem da pesca para sua sobrevivência, dos pescadores esportivos, dos órgãos afins e da comunidade de familiares e amigos de surfistas mortos desta forma lamentável.

É de urgência que sejam tomadas providências para resguardar os surfistas dos perigos destas redes de pesca. Importante ressaltar que não se quer ir contra a pesca, muito pelo contrário, pois muitos surfistas são também pescadores, filhos de pescadores e admiradores da pesca, que é uma atividade divina e primordial, e que também tem seu papel econômico no litoral.

O que se clama é o abandono deste tipo de material antiquado e inadequado, totalmente fora dos padrões de segurança, inadequado aos dias atuais.
As redes, a deriva, esticadas da praia para o mar, com pequenas bóias dentro da água, quase imperceptíveis, são verdadeiras armadilhas lançadas ao azar de quem com elas se encontrar.

Desta forma, esse documentário irá proporcionar ao público uma reflexão consistente através da exposição e abordagem imparcial de fatos verídicos, entrevistas e depoimentos de pessoas conhecedoras do assunto.

Com isto, deixará sua contribuição na luta pelo exercício seguro do surf, esclarecendo ao público a gravidade deste problema, mostrando as dificuldades encontradas para a efetivação de uma solução adequada e justa para todas as partes.

Apoie esta idéia:
Gaba FilmsTelefone: (51) 3042 7125
Rua Adolfo Inácio Barcelos, 500 sala 240 – Centro – Gravataí
CEP: 94 010-200RS – Brasil


Veja o trailer do documentário "Caiu na Rede é Gente" produzido pela Gaba Films :
video

Acompanhe a reportagem da TV Bandeirantes:
video

http://gabafilms.com/caiunaredeegente/sobre.html

A triste realidade do surfista gaúcho

- A triste realidade do surfista gaúcho
** Texto do Surfista Ki Fornari

Ano vai, ano vem e a realidade é sempre a mesma. Como animal esperando o abate, vive assim o surfista gaúcho. Envergonho-me como surfista gaúcho, em viver no único lugar do mundo onde existem armadilhas humanas dentro do mar.


Assim como as zonas urbanas do litoral gaúcho cresceram, cresceu também este esporte apaixonante. Já não são apenas meia dúzia de jovens alucinados de classe média-alta, já não são apenas pioneiros desbravando o desconhecido. São centenas, milhares...no Brasil inteiro: milhões!

Sem acompanhar o crescimento e a evolução dos meios de subsistência, a pesca no litoral gaúcho ainda é arcaica, e cada vez menos profissional. Como acontecia há 50 ou 100 anos atrás, cabos e redes de pesca riscam a paisagem da beira de praia, mesmo nas principais zonas urbanas do litoral. Pescadores truculentos ainda precisam da ajuda braçal na retirada das pesadas redes, a fim de recolher o que nelas vier. Sem barcos ou equipamentos modernos, relutam em desocupar áreas, agora populosas, pela insegurança e falta de condições que garantam melhorias na atividade pesqueira. Muitas famílias ainda dependem desta pesca, mas não há de se negar que, hoje em dia, o "Zé da Padaria" e o "João da Ferragem", ainda possuem como dote, um local privilegiado e a rede, herdados dos seus antepassados.

Como exemplos verídicos do "abandono" da orla gaúcha, estão as redes situadas em Cidreira, em pleno calçadão, projetado e construído, penso eu, para o lazer dos moradores e freqüentadores do município. Neste caso, o lazer se restringe no limite do calçadão com a areia branca da praia, pois, o banho de mar e a pratica de esportes nesta região - a mais populosa do município - é inviável, devido as armadilhas fixadas mar adentro.

Em Capão da Canoa, reduto de férias da governadora Yeda Crusius, cabos e redes de pesca encontram-se perfilados diante de novas construções, apartamentos de luxo que custam o olho da cara. Pois bem, o cidadão gasta milhares de reais em uma morada de lazer, e se vê proibido de aproveitar aquilo que figura como maior razão do seu investimento: o mar. A própria governadora do estado relatou certa vez, que segurou um destes cabos, a fim de comprovar o perigo que representa àqueles que se servem deste espaço público e divinal.

Lucas Boeira Dias, de apenas 22 anos de idade foi a 46ª vítima das redes de pesca no litoral do Rio Grande do Sul. Fisgado como peixe, deixa mais uma família dilacerada, privada e impossibilitada de qualquer reparação, mesmo que por justiça, pois, nestes casos, não há culpados, nunca houve.
Para os desinteressados, mais um acidente, para nós surfistas e familiares, mais uma tragédia anunciada. E para você?

fonte: Ki Fornari do Blog Swell/Clicrbs


Redes de Pesca

1 - TIPOS DE REDES:

- Redes com cabo
- Poita: Tipo de âncora feita de peças de suspensão de caminhões (molas e ponta de eixo) que serve para prender a rede no mar. A poita é colocada mais ou menos no inside, em dias de mar calmo por um bom nadador e uma bóia feita de câmera de trator.
· Calão: Estaca feita de madeira ou ferro, cravada na área da praia para prender o cabo a praia.
· Cabo: Geralmente feito de pedaços de cordas usadas nos navios, estende-se da praia (calão) até a Poita e é onde é presa a rede.
· Sirilho: Uma espécie de roldana de madeira que serve para puxar o cabo com a rede.

- Redes de Passeio
· Modalidade comum no litoral gaúcho em dias de corrente de sul e ventos de sudoeste ou sul fortes. Neste tipo de rede não são utilizados poita nem calão, pois o pescador encarrega-se de segurar a ponta da rede a praia e acompanha caminhando pela areia a rede que é carregada pela a corrente durante um longo trecho, que pode atingir até 1000m de distância. Esta rede é puxada para dentro do mar por uma pandorga (pipa).

- Redes de Calão

· Neste tipo de pesca com redes são utilizados dois calões para prender as extremidades da rede dentro do mar. Neste tipo de pesca os riscos de acidentes com surfistas é muito pequeno, pois esta rede não é muito grande e de fácil visualização, além de normalmente ficarem próximas a costa.

2 - DICAS
· Da praia podemos apenas ver o Calão e ter uma pequena idéia de onde se encontra o cabo, que pode ser muito comprido.
· As ressacas do mar podem arrebentar as redes deixando Poitas perdidas e redes a deriva. Portanto, mesmo dentro dos limites estipulados para a prática do surf, tome cuidado.
· Nunca corte um cabo de rede, pois estará aumentando o problema, já que uma rede a deriva não é possível de ser localizada.
· Todos os picos de surf do mundo possuem seus obstáculos, naturais ou não. Mantenha-se informado e respeite seus limites.

3 - O QUE FAZER
· Ao deparar com um cabo, solte o leash preso ao tornozelo. Assim o cabo passará entre a prancha e o surfista.
· Desconecte o leash antes de ser derrubado da prancha pelo cabo. As ondas, a oscilação do cabo de pesca e o nervosismo dificultam a retirada do leash depois que surfista está submerso


- Como evitar:
SURFISTAS:
· Pratique o esporte apenas nas áreas demarcadas, preferencialmente em grupo
· Verifique o sentido da corrente e caminhe no rumo inverso na área demarcada. Só então entre na água
· Observe se não há redes irregulares no trecho, perceptíveis pela presença de cordas amarradas a estacas fixadas na areia
PESCADORES:
· Respeite as zonas delimitadas para a pesca
· Lembre que o cabo será levado pela correnteza
· Sinalize as redes com a colocação de bóias ou de bandeiras em suas extremidades
· Se o cabo arrebentar e a rede ficar à deriva, informe imediatamente os salva-vidas ou a Brigada Militar

Manifesto


O Estado do Rio Grande do Sul detém um marca inadmissível: Morrem mais pessoas vítimas de redes ilegais de pesca do que com ataques de tubarões na África.

Desde 1983, em nosso Estado, 48 famílias foram rasgadas em dor e sofrimento com a perda de entes queridos, e até hoje ninguém, absolutamente ninguém foi responsabilizados por estes crimes.

Nestes anos, muito se evoluiu, foram campanhas educativas, comissões na Assembléia Legislativa, repercussão na mídia, programas de governo, luta de abnegados, até se chegar à criação de Leis que delimitam e sinalizam as áreas de surf e de pesca.

Apesar disso, estamos longe, muito longe de termos tranqüilidade com esta situação, nos falta à sinalização e demarcações de muitas áreas, fiscalização efetiva, conscientização de todos os segmentos e punição dos culpados.

O Blog SURF SEGURO RS busca a continuidade desta luta, pela centralização das ações, por uma representatividade efetiva para os surfistas e familiares, pela visibilidade, pela pressão aos órgãos competentes e, sobretudo pelo fim das tragédias em armadilhas humanas nos nossos mares.

Esta idéia busca a conscientização e participação de todos os surfistas, familiares, comunidade em geral, entidades e todos os segmentos do surf para se engajarem nesta luta.

O SURF SEGURO acredita que através da organização das pessoas que tenham comprometimento apenas com seus valores éticos e morais é que se pode buscar uma sociedade mais fraterna, justa e perfeita.


Seremos uma idéia de luta, construída e sedimentada na indignação e na dor das tragédias ocorridas, mas, sobretudo teremos o olhar firme para o futuro, sabemos que com ações concretas poderemos construir um futuro mais seguro para as próximas gerações de surfistas.


Por tudo isso, precisamos do apoio, da participação, carregue esta bandeira, lute organizadamente conosco, façamos que a união de esforços consciente alcance os objetivos que todos esperam.

Pelo fim das mortes de surfistas em rede de pesca, pela preservação das nossas praias e espécies, pela conservação do meio ambiente!


SURF SEGURO DEPENDE DE NÓS, PARTICIPE!!!